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Crescer a qualquer custo ou ser fiel e apostar no longo prazo?

Você recebe uma proposta de emprego de outra empresa. É um salto em sua carreira, algo que você esperava havia muito tempo. Mas você não quer romper seu compromisso e deixar seu chefe - que não quer perdê-lo - na mão. O que fazer? Mudar de emprego mesmo assim? Romper obrigações contratuais ou morais em nome de um cargo mais alto ou de mais dinheiro? A resposta dos especialistas em gestão de carreira é: siga o exemplo de Muricy Ramalho.

O técnico do Fluminense foi convidado na última semana a assumir o posto de treinador da seleção brasileira, cargo que dez entre dez técnicos almejam. Recusou a oferta, porém, porque o clube que dirige não liberou sua saída. Muricy já havia acertado um contrato com a equipe carioca até o fim de 2012 antes de receber o convite da CBF. Como diz que nunca quebrou um contrato sequer, deixou a decisão de liberá-lo ou não nas mãos do Fluminense, que decidiu segurá-lo. E Muricy, que sempre disse sonhar com a chance de treinar a seleção, abriu mão dessa chance.

Os especialistas em gestão de carreira ouvidos por VEJA.com classificaram a decisão como acertada. "É uma postura ética rara de ser encontrada. Vemos muitas empresas fazendo propostas melhores e é comum o profissional pensar só no dinheiro e partir. Essa decisão muitas vezes mancha uma carreira", alerta Sulivan França, presidente da Sociedade Latino Americana de Coaching (Slac). "Às vezes, vale mais a pena você sacrificar um ganho no curto prazo, mas valorizar uma carreira e um caráter", completa.

No curto prazo o dinheiro e o status da nova função pode satisfazer, mas questões éticas e morais têm sim seu espaço.  Imagine que você como líder faz uma proposta á um profissional e ele abandona a empresa em que está para trabalhar com você. Certamente estará nos planos deste profissional fazer o mesmo com você e sua empresa quando estiver novamente na mesma situação.

A conduta ética de Muricy certamente valorizou o “passe dele” e o tornou o técnico mais leal a sua equipe no futebol brasileiro. Qual clube não deseja um treinador leal? Qual empresa não deseja um colaborador leal? Os especialistas em carreira estão certos. No curto prazo a oferta seria muito melhor, mas com a recusa de Muricy, seu posicionamento profissional foi elevado e certamente a recompensa por isso também.

Foco no resultado é o que gera resultados, mas qual o preço a se pagar por uma “quebra de contrato” em nome do resultado? Será que está no jogo? Não. Na gama de perfis mapeados pelo Método Quantum é possível identificar os motivadores principais para as tomadas de decisão. Conhecer a sua equipe profundamente pode evitar um susto, como uma quebra de contrato por exemplo.

E se você fosse o Mano?
O ex-técnico do Corinthians, Mano Menezes, foi convidado a assumir o cargo que Muricy recusou. No mundo corporativo, ser a segunda opção é muito comum, e o profissional não deve se sentir inferior por isso. "As oportunidades só aparecem quando estamos preparados", explica Irene. De acordo com ela, não há segredo na postura ideal para essa situação: "O importante é pensar: eu fui lembrado e escolhido. Tenho que mostrar o meu valor, ver os erros e acertos das outras gestões", afirma a consultora.

Nem sempre a escolha de um profissional leva em conta apenas competência. Existe uma série de variáveis que são levadas em conta. Portanto, o profissional lembrado apenas após a recusa do primeiro escolhido não deve se ressentir. Pelo contrário: deve pensar que está no rol dos melhores.

Publicado em http://portalexame.abril.com.br/carreira/noticias/crescer-ou-ser-fiel-voce-faria-lugar-muricy-582190.html

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