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Ter, 10 de Fevereiro de 2015 16:17

VIDA PLENA! OU NADA... Destaque

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[...] O gato de Schrödinger – seu destino é o de viver e viver parcialmente. O pobre animal sofre de uma crise de identidade peculiarmente quântica, estando indefinidamente suspenso num estado intangível no qual não está nem vivo nem morto [...] (ZOHAR, 1990).

 

O experimento conhecido como o Gato de Schrödinger[1] resume-se em um gato preso dentro de uma caixa, junto a um frasco de veneno e um contador Geiger – detector de radiação –, ligados por relés e um martelo. O contador Geiger será acionado ou não. Se for, transmitirá movimento através dos relés; o martelo baterá na caixa de veneno quebrando-o e matando o gato. Mas, se o contador não acionar o martelo, não quebrará o vidro e o gato permanecerá vivo. Sendo assim, o animal pode estar vivo e morto ao mesmo tempo[2]. Tudo imaginário! O intrigante é que, de acordo com as leis da física quântica, a radioatividade pode se manifestar em forma de ondas ou de partículas, e uma partícula pode estar em dois lugares ao mesmo tempo!

Se uma analogia fosse feita entre a vida do ser humano e o resultado desse inusitado experimento mental[3], muita semelhança poderia ser detectada. Por que as pessoas estão demasiadamente tristes, ansiosas e deprimidas? Quando e como ocorre a ruptura do ser com seu equilíbrio mental e corporal? O que tem faltado ao ser humano, afinal? Utilizando-se de comparação, poder-se-ia inferir que grande parte da humanidade – por estar desconectada de si mesma – padece da crise de identidade do Gato de Schrödinger: “nem vivo, nem morto”. Um desequilíbrio que faz com que as antagônicas emoções se entrelacem fortemente pela sustentação!

Logo, se a vida não estiver fazendo sentido, é provável que se esteja vivenciando a “crise do gato”. Housman poeticamente conclamou a existência: “de longe, de ontem e de amanhã e de além do céu de doze ventos, o fio da vida para tecer-me para cá soprou: aqui estou[4]”. Sou, somos! Mesmo diante dessa indubitável verdade, tornou-se banal postergar a “voz” da intuição em detrimento da apologia ao pessimismo, do culto à queixa e ao sofrimento, acreditando, infelizmente, que, a partir de um determinado período da vida, comecem a coexistir no inconsciente do homem emoções múltiplas – medos, angústias, incertezas – que, em sua maioria, não serão jamais solucionadas, tal qual predestinação.

Portanto, é plausível afirmar que esses estados emocionais, combinados e entrelaçados, propiciem convicções infundadas, condicionando o sujeito a uma perigosa inércia por aceitar a crença, forjada, de que sua força intrínseca seja inexistente, mesmo sendo ele testemunho de que o ser nasce completo, livre e feliz. Se a resposta é operar plenamente na essência – corpo e alma integrados – permitindo-se constante acesso ao autêntico estado do ser, é razoável conceber, por conseguinte, que CONHECER-SE, HONRAR-SE e RESPEITAR-SE, nada mais é do que se permitir o reencontro com o “SELF” – a única verdade admissível para quem não se conforma em apenas viver parcialmente – como o Gato de Schrödinger! A VIDA que se clama é a que vibra fundo n’alma! Plena de LUZ! Menos que isso, é NADA – ou ILUSÓRIA.

Zélia Pimenta


[1] Erwin Schrödinger foi um físico teórico austríaco, conhecido por suas contribuições à mecânica quântica, especialmente a equação de Schrödinger, pela qual recebeu o Nobel de Física em 1933 (Wikipédia).

[2] Website: www.wikipedia.com

[3] Em filosofia e em física, um experimento mental ou experiência mental (da expressão alemã Gedankenexperiment) constitui um raciocínio lógico sobre um experimento não realizável na prática, mas cujas consequências podem ser exploradas pela imaginação, pela física ou pelas matemáticas.

[4] A Shropshire Lad – coletânea de 63 poemas do poeta inglês Alfred Edward Housman (1859-1936).

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