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Você sabe de quanto sono seu filho realmente precisa?

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Tenho uma pergunta importante – na verdade, várias perguntas relacionadas – para todos os pais de crianças em idade escolar: vocês sabem o quanto seus filhos dormem? Vocês sabem de quanto sono eles realmente precisam?

E vocês sabem o que os relógios biológicos deles estão dizendo sobre a que horas devem dormir e a que horas devem acordar?

Embora crianças pequenas costumem acordar seus pais sonolentos todas as manhãs, sem nenhum respeito pelos finais de semana, depois da puberdade o jogo vira. Costumo ouvir um lamento familiar por parte de pais de adolescentes: todos os dias é uma luta para acordar os filhos e mandá-los para a escola no horário.

Muitos jovens e a maioria dos adolescentes não dormem o suficiente, e isso pode ter consequências graves, prejudicando o desempenho escolar e até aumentando o risco de depressão e outros distúrbios do humor.

Para ajudar você e seus filhos a perceberem melhor as necessidades de sono, eu sugeriria um pequeno teste. Durante uma semana, ou alguns dias antes que as aulas acabem e depois durante as férias de verão, faça um diário do sono, com três colunas, para seus filhos. Ou, se eles puderem e estiverem dispostos, peça para eles fazerem.

Numa coluna, registre a hora em que eles vão se recolher durante a semana escolar e nos finais de semana ou dias de férias. Na segunda coluna, registre a latência do sono – ou seja, quanto tempo leva para eles dormirem. E na terceira coluna, registre a hora em que eles acordam, observando se acordam naturalmente ou com um alarme (ou só com água fria!).

Embora seja verdade que o sono varie de uma pessoa para outra, há algumas orientações científicas bastante razoáveis para ajudar a determinar se as crianças estão dormindo o quanto precisam para ter seu melhor desempenho na escola, nas brincadeiras e para se darem bem com os amigos e em outras relações pessoais.

E se você for pai de adolescentes, pode chegar a ter uma compreensão muito melhor do motivo pelo qual eles têm tanta dificuldade em levantar nas manhãs escolares, a tempo para tomar banho, vestir-se, tomar café e chegar até o ponto de ônibus ou à primeira aula no horário.

Nos últimos anos, a TV recebeu toda a culpa por reduzir o tempo de sono dos jovens. Agora, os aparelhos modernos que foram feitos para melhorar a comunicação e nos poupar tempo criaram dias quase intermináveis. Não há mais uma hora “sagrada” depois da qual uma criança não pode entrar em contato com alguém, procurar informação ou comprar pela internet. E para muitos e muitos jovens, o sono é postergado para fazer contatos, quer seja por telefone celular, e-mail, mensagens instantâneas ou de texto, ou pelo Skype.

Os números

De acordo com a National Sleep Foundation, os recém-nascidos deveriam dormir de 12 a 18 horas a cada 24 horas (todos os pais de recém-nascidos esperam por isso), com uma redução gradual para 12 a 14 horas para crianças de 1 a 3 anos; 11 a 13 horas para os pré-escolares de 3 a 5; e (sim!) 10 a 11 horas para crianças de 5 a 10 anos.

Eu suspeito, entretanto, que poucos alunos de quarto e quinto ano durmam 10 horas numa noite. Meus netos, de 10 anos, têm sorte de dormir oito ou nove horas, até nos finais de semana. Pesquisadores da Universidade de Stanford reportaram que as crianças de 9 e 10 anos precisam de apenas oito horas de sono por noite.

Mas as coisas ficam realmente difíceis na puberdade e durante a adolescência. Não só os adolescentes precisam de mais sono do que os adultos – 8,5 a 9,25 horas por noite, de acordo com a fundação para o sono – mas o horário em que eles têm sono e conseguem acordar naturalmente sentindo-se descansados muda de forma que não coincide com o horário de entrada na maioria das escolas.

Vários estudos do sono mostraram que o adolescente típico não cai no sono com facilidade antes das 23h ou mais tarde. Mas muitos precisam levantar às 6h da manhã ou mais cedo para chegar na aula que começa às 7h30 ou 8h. Não são poucos os que dormem durante a primeira aula, e com frequência também na próxima. Mesmo que estejam acordados, não estão em condições de aprender muita coisa.

Em um estudo, mais de 90% dos adolescentes disseram dormir menos do que nove horas por noite, e 10% disseram que dormem menos de seis horas. Como observou James B. Maas, psicólogo da Universidade de Cornell e importante pesquisador do sono, a maioria dos adolescentes são “zumbis andando” porque não dormem o suficiente.

Até em 1998, antes que os smartphones e iPads pudessem ser culpados pela falta de sono dos adolescentes, um estudo com mais de 3 mil adolescentes feito por dois especialistas em sono, Amy R. Wolfson, do College of the Holy Cross, e Mary A. Carskadon, da Brown University, revelou que os alunos do segundo grau que tinham notas baixas dormiam uma média de 25 minutos a menos e iam para a cama 40 minutos mais tarde do que aqueles que tiravam A e B. Num estudo de laboratório com 40 alunos de colegial, Carskadon e seus colegas descobriram que quase metade dos alunos que entravam na escola às 7h20 ficavam “patologicamente sonolentos” às 8h30. Eles chamaram esse horário de entrada na escola de “abusivo”, disse ela. “Essas crianças podem estar de pé e na escola às 8h30, mas tenho certeza de que seus cérebros ainda estão nos travesseiros em suas casas.”

A falta de sono resulta em “três golpes contra o aprendizado”, disse Carskadon numa entrevista.

“Os alunos não estão despertos o suficiente para lidar com a informação que deveriam estar aprendendo, sua aquisição de conhecimento é prejudicada e sua capacidade de lembrar das informações está reduzida”, disse ela. “O que é aprendido durante o dia é consolidado durante o sono.”

Depois de cinco noites de pouco sono, muitos adolescentes tentam recompensar nos finais de semana, dormindo até às 11h ou meio-dia, senão até mais tarde. Mas, diz Carskadon, essa solução pode sair pela culatra porque distorce ainda mais seus relógios biológicos e pode fazer com que seja ainda mais difícil para eles levantarem no horário durante a semana.

Outras consequências da falta de sono nos jovens incluem “a erosão da felicidade – um risco maior de depressão e outros distúrbios do humor” naqueles que têm uma vulnerabilidade latente.

Os distritos escolares que mudaram o horário de entrada para mais tarde perceberam que as notas melhoraram, as desistências diminuíram e houve uma redução dos acidentes de trânsito. Ao diminuir o intervalo entre as aulas em cinco minutos, um distrito evitou ter de alongar o dia letivo, o que de outra forma poderia interferir com as atividades esportivas e empregos.

Melhorias sugeridas

Se você fez um diário do sono para seus filhos, observe qualquer discrepância entre suas necessidades de sono nos dias livres e entre o que precisam fazer durante o ano escolar.

Carskadon, que descreveu a adolescência e o sono como “a tempestade perfeita”, oferece as seguintes dicas que podem resultar num casamento melhor entre a necessidade de sono dos adolescentes e as demandas escolares:

Os distritos escolares deveriam começar as aulas mais tarde para os adolescentes.

As atividades escolares no final da noite deveriam ser limitadas.

O currículo deveria incluir informações sobre o sono e ritmos biológicos para encorajar os alunos a fazer escolhas bem informadas sobre seu horário de sono.

Entretanto, os pais devem identificar e estabelecer “um horário apropriado para ir dormir (.)”.

Para ajudar a estabelecer um ciclo aceitável de sono, os adolescentes devem evitar luzes fortes e atividades estimulantes à noite, e ter exposição à luz pela manhã.

As famílias deveriam estabelecer rituais relaxantes antes de dormir, que lembrem as histórias de dormir do início da infância.

Texto de Jane E. Brody publicado no site do jornal The New York Times e tradução de Eloise De Vylder.

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